Ricos e pobres

novembro 5, 2007

Muito da democracia teve como objetivo reduzir a desigualdade entre os que tinham mais e os que tinham menos. Aristóteles dizia claramente que a soberania deveria estar com a massa do povo, pois se deseja que todos tenham direitos iguais. Enfim, apesar de viverem em uma sociedade escravocrata, alguns gregos ilustres tentaram minimizar as diferenças entre seus cidadães. Péricles foi outro desses. Para ele, todos deveriam participar das assembléias políticas, em que as desavenças poderiam ser resolvidas pelo diálogo. Em um dado momento, Péricles percebeu que, muitos pobres preferiam ficar trabalhando a ir participar das reuniões que não davam remuneração alguma. Em 460 a.C, quando ele tornou-se líder do Partido Popular Democrático, começou a pagar um salário para os principais cargos públicos. Os primeiros a receber foram os arcontes, representantes das nove tribos da cidade que eram eleitos por sorteio. Foi assim que surgiram os funcionários públicos. PS: Meu notebook morreu. Assim, estarei atualizando o blog com alguma dificuldade em novembro. Em dezembro, voltarei com fotos da Grécia, tiradas pelo simpático casal Rubens e Maria Inês, que acabaram de voltar de lá. Tem até foto de penico grego para criança.


Aristófanes, o pacifista

outubro 24, 2007

Quando alguém fala em pacifistas, em quem você lembra?

Gandhi?

Marther Luther King?

John Lennon?

São esses os nomes que aparecem quando alguém fala de movimento pacifista. Ninguém fala de Aristófanes.

Mas esse grego das antigas — um comediante, olha só – dava um show na hora de atacar os defensores da guerra.

Na sua peça A Paz, o personagem Trigeu vai até os céus para soltar a Paz, ela mesma, em pessoa, que estava presa em uma caverna. Ele sobe voando num besouro e retorna para a Terra com a dita cuja, a Paz.

Depois que ela aterrissa por aqui, fabricantes de lanças, de armaduras, de penachos e de escudos reclamam para o herói, que faz pilhérias dos mesmos. Ameaça transformar um pedaço de armadura em penico. Também ameaça pegar um penacho de capacete para espanador. Como Aristófanes deixava claro, só os fabricantes de armas se beneficiavam da guerra, enquanto os agricultores sempre levavam a pior.

Em outra peça de Aristófanes, Lisístrata, as mulheres decidem fazer greve de sexo para exigir que seus homens desistissem da guerra. E conseguem!

O interessante também é que Aristófanes citava nominalmente nas suas peças os nomes dos atenienses que defendiam a guerra nas assembléias políticas. Desse jeito, fazia o papel de uma espécie de imprensa crítica da época.


O Calcanhar no Jô Soares

outubro 19, 2007

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Ops, esqueci de avisar. Segunda-feira, dia 15, saiu uma entrevista minha no Jô Soares sobre o livro O Calcanhar do Aquiles. Quem quiser ver, aqui vai o link do vídeo.

http://video.globo.com/Videos/Player/Entretenimento/0,,GIM743356-7822-JORNALISTA+DUDA+TEIXEIRA+LANCA+LIVRO,00.html

 

 


O Partido dos Deuses Gregos (PDG)

outubro 17, 2007

Já sabe em quem votar nas próximas eleições do Olimpo? Eu indico o Partido dos Deuses Gregos, número 65.

Para ver o vídeo da campanha política de Poseidon, Zeus e Cronos, clique neste link do YouTube:

http://www.youtube.com/watch?v=Bu-SGgY7Kgo


Que tal um porre?

setembro 30, 2007

Na Grécia Antiga, o porre alcoólico era tido como um mergulho do deus Dioniso na pessoa. Esse era o deus da irregularidade, da irreverência, e era sempre muito bem-vindo goela abaixo. O bebedor entrava em êxtase, palavra grega que significa “sair de si mesmo”. Havia bêbados incômodos e bêbados sociáveis.

No livro O Banquete, Platão narra uma deliciosa história de como Alcibíades, de fogo, atrapalha um simpósio filosófico e deixa Sócrates totalmente desconcertado.

Coroado com flores, coberto de fitas  e amparado por uma flautista e por amigos amigos, Alcibíades entra no meio de um simpósio. Quando chega, todos o aclamam e pedem para que ele tome seu lugar à mesa.

Alcibíades se senta entre o anfitrião e Sócrates, aparentemente sem vê-lo. O filósofo precisa se afastar para dar lugar ao novo conviva.

Quando Alcibíades enfim vê Sócrates (ou dá a entender isso), exclama: “Por Héracles, o que é isso! Continuas a perseguir-me e te emboscas aqui, conforme o teu costume de aparecer justamente nos lugares em que menos espero te encontrar!”.

 Sócrates, todo sério, reclama. Mas os participantes, em vez de censurá-lo, deixam Alcibíades à vontade.

O que ele fala em seguida é o texto conhecido como o Elogio de Sócrates.

Para quem te o livro O Banquete em casa, vale a leitura.


Coluna fatiada

setembro 20, 2007

O filósofo pré-socrático Anaximandro imaginou que a Terra era um disco, assim como aqueles que eram usados nas colunas dos templos. Isso está na página 142 do livro O Calcanhar do Aquiles.

Mas o que era um disco desses?

Para entender isso, é preciso entender antes como eram construídas as colunas. Em primeiro lugar, os gregos esculpiam rodas nas rochas e faziam um furo no meio.  

Então, eles as empurravam até o lugar onde o templo seria construído e empilhavam um disco em cima do outro.

Quando a pilha estava formada, esculpiam sulcos na vertical nos imensos cilindros, para dar uma sensação de unidade.

Simples, não?

Quando alguns modernos encontraram vestígios de templos antigos, o que viram foi um monte desses discos no chão. Aí foi só colocar os discos empilhados de novo (tomando cuidado para não trocar a ordem) e, pronto, coluna feita.  

Essa foto do Templo de Zeus, em Atenas, mostra alguns discos que foram mantidos da forma como foram encontrados, ao lado de uma coluna.

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Aqui embaixo, o Templo de Zeus reconstruído. Ao fundo o Partenon.

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Essa foto também dá para ver bem a “acrópole”, ou cidade alta, onde está o Partenon.  


Classificação indicativa

setembro 18, 2007

É preciso controlar o que as crianças assistem, já dizia o bom e velho Aristóteles.

Sim, o acesso dos pequenos às coisas dos adultos era uma preocupação na Grécia Antiga. Os gregos não falavam de televisão ou de cinema, claro. Falavam das pinturas, das peças de teatro (comédias, principalmente) e das palavras obscenas que os adultos diziam.

O trecho em que Aristóteles fala disso está perdido no livro Política, onde versa sobre as formas de governo, o cidadão perfeito e outras coisas assim. Tá lá o grande sábio dizendo:

 “É razoável afastar das crianças todas as coisas grosseiras que possam machucar os olhos e os ouvidos”.

Ou ainda:

“Desde a mais tenra meninice, os jovens devem jamais tenham a oportunidade de ouvir ou falar essas coisas”, que ele chama de “indecência proposital ou qualquer outro vício”.

Esse controle, segundo ele, deve ser feito até a idade em que as crianças já possam tomar parte nos banquetes onde se tomava o vinho.

E que idade seria essa?

Segundo Platão (essa história está na página 169 do livro O Calcanhar do Aquiles), não se deve dar o vinho para menores de 18 anos, para não se “lançar lenha ao fogo”. Depois disso, dizia Aristóteles, a “educação os colocará ao abrigo desses perigos”.


O símbolo do correio grego

setembro 4, 2007

Lembra do Hermes, aquele que os romanos chamavam de Mercúrio? Sim, ele, o garoto de recados do Olimpo? Aquele que ia para tudo quanto é lugar e tinha asas no chapéu e nas sandálias? Pois é. Hermes está dentro do símbolo do correio grego. Olha só essa caixa de correio em Atenas.

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Aqui, o Hermes em detalhe:

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Se quiser saber mais sobre ele, o texto está na página 26 do livro o Calcanhar do Aquiles.


Freud e a Grécia Antiga

setembro 2, 2007

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No livro O Calcanhar do Aquiles, reservei um pequeno trecho para falar de Freud e o complexo de Édipo. Tá lá, na página 50. Mas Freud pegou ainda muitas outras histórias dos antigos gregos para exemplificar suas idéias. Aí vai: 

Prometeu, que roubou o fogo do Olimpo para dar aos homens, transportou a chama em um pau oco, um caule de funcho. “Se estivéssemos interpretando um sonho, tenderíamos a considerar esse objeto como um símbolo do pênis”, escreveu Freud em A Aquisição e o Controle do Fogo. A chama, por sua vez, também é interpretada assim. “A forma e os movimentos de uma chama sugerem um falo em atividade. Não pode haver dúvida a respeito da significação mitológica da chama como um falo”. Fênix, a ave que “tão logo é consumida pelo fogo, surge rejuvenescida mais uma vez” é muito provavelmente “uma alusão ao pênis que surge rejuvenescido, depois de se haver relaxado”. 

A Hidra de Lerna, monstro que foi vencido por Hércules em um de seus doze trabalhos, era um monstro da água com inúmeras cabeças, sendo uma imortal. “A cabeça imortal, sem dúvida, é o próprio falo, e sua destruição significa a castração”. Mais?  

A Medusa, com seus cabelos de serpente, também entrou nessa história. As serpentes, “servem como mitigação do horror por “substituírem o pênis, cuja ausência é a causa do horror. Isso é uma confirmação da regra técnica segundo a qual uma multiplicação de símbolos de pênis significa castração”. Esse trecho está no texto A Cabeça da Medusa 

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Chega, né?

 No livro, preferi deixar essa baixaria de fora. Mas no blog…  


Arquipélago leva o Jabuti

agosto 26, 2007

Ótimas notícias!

O livro A Vida Que Ninguém Vê, de Eliane Brum, o primeiro a ser lançado pela minha editora, a Arquipélago, foi vencedor do Prêmio Jabuti 2007. Trata-se da maior distinção do mercado editorial brasileiro.

A Arquipélago, para quem não conhece, é uma editora gaúcha nova, que acabou de fazer um ano. Nesse tempo, publicou quatro livros. E um já ganhou o Jabuti. Não é pouca coisa…

O livro, aliás, é ótimo. Eliane, que já foi repórter do Zero Hora, conta histórias de pessoas que normalmente não aparecem nos jornais, como artistas de rua e carregadores de malas em aeroportos. E tem um estilo de texto delicioso, para ler prestando atenção em cada palavra. Para saber mais, aqui vai o site: www.arquipelagoeditorial.com.br.

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